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Cartunista morto em tiroteio de Charlie Hebdo desenhou sobre o Jogo do Bicho

Desenho de George Wolinski sobre o Rio

O início deste ano foi marcado pelo trágico episódio que, no dia 07 de janeiro, deixou toda França em luto. Dentre os funcionários da revista Charlie Hebdo que perderam a vida no tiroteio de Paris estava George Wolinski, de 80 anos, cartunista que retratou em uma de suas charges o nosso querido Jogo do Bicho!

Wolinski e outros cartunistas de renome internacional vierem ao Rio de Janeiro em 1993 para participar da Bienal Internacional de Quadrinhos, onde conheceu vários colegas brasileiros como Ziraldo, Chico Caruso e Laíson.

Durante sua estadia no Rio, o chargista se impressionou tanto com as peculiaridades da vida na cidade maravilhosa (quem não se impressiona?) que acabou criando uma divertida charge (acima) sobre suas impressões.

A charge

As praias, as mulheres, o crime organizado, e até o Jogo do Bicho entraram na obra do talentoso artista:

“A favela vive da droga. Dois grupos partilham o tráfico, o Comando Vermelho é um deles. Eles aprenderam com os presos políticos [nas cadeias durante a década de 1970] táticas de organização. Os traficantes financiam as escolas e outros serviços nas favelas, e as casas têm antenas parabólicas”, diz parte do texto principal da charge.

À esquerda, um desenho de um bicheiro em sua banca (senhalado em vermelho) ele escreve: “Este é o Jogo do Bicho, um jogo exótico e bastante complicado, onde se pode ganhar uma fortuna apostando em um dos 25 animais. Há um sorteio nacional e os resultados passam de mão em mão (..).”

O que dizem outros representantes da mídia internacional sobre o Jogo do Bicho

Wolinski não é o único representante da mídia internacional a se impressionar com o Jogo do Bicho quando visitou o Brasil.

“Para quem já passou algum tempo no Rio de Janeiro é impossível não ouvir falar do Jogo do Bicho. Você notará uma pessoa permanentemente estacionada em um mesmo local, seja uma banca de jornal, ou prédio, uma esquina. Todo dia, centenas de pessoas se aproximam desta pessoa, conversam brevemente, trocam algumas notas e um pedaço de papel.” – diz James N. Green, jornalista americano da ReVista, em seu artigo “Brazilian Animal Game”.

Até mesmo a prestigiosa revista americana The Economist publicou um artigo em 2012 sobre o Jogo do Bicho, sua história e motivos para sua longevidade. “Até meados de 1890, o Jogo escapou as fronteiras do zoológico e sobrevive até os dias de hoje. Sobreviveu à falência do zoológico, à hostilidade da igreja, à proibição e à hostilidade de possíveis concorrentes.”

A BBC News também publicou uma matéria sobre o Jogo do Bicho e sua possível legalização num futuro próximo: “(O Jogo do Bicho) está tão intrínseco na cultura brasileira como o próprio carnaval (...) Um argumento a favor da legalização é que o jogo já é amplamente aceito dentre a população e é jogado abertamente. Mantê-lo criminalizado é uma grande hipocrisia.”

Que George Wolinski e a demais vítimas do tiroteio de Charlie Hebdo descansem em paz!

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